Terça-feira, 25 de Setembro de 2007
Nasceu no tempo do simplex

Coisas de miúdos Quando era pequenina era daquelas crianças ingénuas que já não se fazem hoje em dia. Agora os miúdos devem incluir um ingrediente qualquer que os torna ainda mais espertos e com vocação para tudo o que tem botões e comandos complicados. Ontem trouxe a filha de uma amiga para dormir cá em casa, tem 7 anos e é aquilo a que a minha avó chama uma maria-velha, ou seja, já sabe mais do que lhe compete com aquele tamanho. A Maria sabe escrever no computador porque tem um em casa, então eu ensinei-a a falar com o meu irmão no Messenger, disse-lhe que devia escrever na janela cá em baixo e carregar na opção "enviar". Hoje de manhã estava a conversar com o Pedro, a mãe dela telefonou e eu fui à sala atender. Qual não é o meu espanto quando aparece a Maria, toda contente, a contar que estava a falar com o Pedro, e chegou a despachar a mãe ao telefone para continuar a conversa! E pior, quando cheguei ao quarto vi-a familiarizadíssima com o Messenger, já punha bonecos nas conversas e tudo, e nem me deixava chegar ao teclado, monopolizou o meu pc e o meu Pedro! Fiquei assustada e achei que tinha criado um monstro, só descansei quando a vi à tarde a brincar no parque como as crianças normais do meu tempo. Enfim, coisas de miúdos
Esta miudagem pode não saber ler nem escrever mas com o computador são uns génios! Até tremo quando os meus sobrinhos vêm cá a casa porque põem o meu computador ao seu modo para puderem falar com os amigos e depois tenho um trabalhão a repô-lo ao meu modo.
Gostei muito da tua visita a meu "Outono". Deixaste um comentário cheio de poesia!
Ciloca, nós não tínhamos era o sacrista do computador mas éramos tão inteligentes quanto os miúdos de agora. Basta ver que, provavelmente, mais de 90% do que sabemos aprendemos em criança.
As crianças são máquinas programadas para aprender. Não estão condicionadas pelos problemas dos adultos. Fazendo uma analogia dentro do tema do post, podemos dizer que são discos rígidos. Antes de serem formatados têm todo o seu espaço disponível mas passado algum tempo já temos dificuldade em guardar mais um ficheiro. E ainda há o problema dos vírus que podemos comparar aos problemas desta vida que nos fazem ter bloqueios e até apagam algumas partes da memória.
Quando apareceram os comandos à distância nós, que sabíamos ler, andávamos constantemente às voltas com as instruções que vinham escritas na linguagem que aprendemos. Mas esse processo só existe para os "velhotes" viciados em palavras. Para os "putos" sempre foi muito mais fácil interpretar os símbolos que são, afinal, a linguagem dos comandos. Se repararmos (o que se torna difícil por estarmos condicionados com outro tipo de linguagem), aqueles símbolos dizem tudo sem precisarmos de ler nada. Aí reside a vantagem dos "putos" que, apesar de não saberem ler, sabem lidar com eles melhor do que nós.
Como já vem sendo habitual, aqui está mais um testamento (eheheh).
O que vale é que a fortuna é grande e chega para todos (eheheh).
Beijinho.
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